Vida & Arte
EXPOSIÇÃO
Sete vezes arte
O sobrado José Lourenço abre sua segunda exposição hoje pela manhã reunindo sete artistas visuais que atuam no Ceará
17 Mai 2008 - 01h16min
A cada andar, perspectivas diferentes. Numa sala, xilogravuras. Na outra, fotos. Em mais uma, pinturas. Acima, barro vira escultura; do lado, espinhos se transformam em arte e, à frente, reflexo vira instalação. Deixe-se se perder no novo labirinto montado no Sobrado José Lourenço. O equipamento cultural dá início a sua segunda mostra em meio ao caos de uma manhã de sábado no centro de Fortaleza. Logo mais, a partir das 11 horas, 7 Artistas 7 Exposições oferece ao público um panorama diversificado da produção de artes visuais feita hoje no Ceará a partir dos trabalhos de Bosco Lisboa, Eusébio Zloccowick, Francisco Zanazanan, João Pedro, Tetê de Alencar, Val Barros e Zé Tarcísio.
Sob curadoria de Dodora Guimarães, cada artista recebeu espaço para apresentar, a livre escolha, um trecho representativo de sua obra. Zé Tarcísio optou pelo painel SOS Litoral. A obra, que demorou 14 anos para ser concluída, começou a ser trabalhada na Bienal de São Paulo de 1979, onde foi exposta pela primeira. À época, a pintura mostrava apenas uma extensa faixa litorânea. Com o passar dos anos, foi modificada a partir da observação do artista sobre as transformações sofridas pela própria paisagem real. Assim, a tela se transformou em objeto de denúncia. "Ela conta o loteamento da nossa paisagem. Com o tempo, os nativos foram sendo expulsos dela, ficando à margem", afirma Tarcísio.
O painel de 10x2m recebeu a última pincelada em 1993, tendo já sido exibido, um ano antes, no encerramento da conferência ambiental Eco 92, no Rio de Janeiro. O artista dedica a exposição ao ex-presidente do Grupo de Comunicação O POVO, jornalista Demócrito Rocha Dummar, falecido em 25 de abril último, que o ajudou a levar o trabalho para aquela exposição. "Esse era um convite muito honroso, mas eu não tinha condições de pagar despesas com deslocamento, hospedagem, e o Demócrito sabia que era importante o Ceará participar disso", diz.
Carrapicho é o nome da coleção de trabalhos a ser apresentada por Eusébio Zloccowick, dando prosseguimento a uma pesquisa que relaciona espinhos a religiosidade. Na sala, serão mostrados mantos feitos com carrapichos. "Há um grande preconceito com o carrapicho porque dizem que ele não serve pra nada. A minha viagem era criar uma função social pra ele e levar o marginal para um salão social. Gosto dessa brincadeira", afirma o artista.
Desde quando foi inaugurado, em julho de 2007, o Sobrado José Lourenço colocou em cartaz apenas uma exposição, a IV Mostra Cariri das Artes, que permaneceu quase um ano exibindo o trabalho de 60 artistas. Com essa nova mostra, a diretora Germana Vitoriano pretende começar o trabalho de consolidação do espaço como equipamento cultural voltado para os artistas visuais. "Acabamos de formar nossa equipe. Queremos transformar o Sobrado em um espaço de convivência e de difusão, onde diversas linguagens possam dialogar", diz. Ainda existem algumas pendências. O prometido café ainda não está pronto e, até quinta-feira, o elevador que dá acesso aos quatro andares do prédio estava quebrado. Germana afirmou que a previsão de conserto era até a própria abertura da exposição. Já o café deve demorar mais por conta da necessidade de realização de licitações para a ocupação do espaço.
No entanto, a diretora se põe otimista quanto à utilização do Sobrado. O auditório está pronto para ser usado e deve funcionar com a exibição de filmes, durante o dia, para captar o público usual do Centro. Além disso, logo após a solenidade de abertura de hoje, o prédio recebe o curador Ricardo Resende, ex-diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, que faz uma palestra sobre o papel da gravura como arte contemporânea. Até as 17 horas, ele permanece no local lendo portfólios de artistas locais e fazendo comentários sobre eles.
SERVIÇO
7 Artistas, 7 Exposições - Abre hoje, às 11 horas, no Sobrado Dr. José Lourenço (rua Major Facundo, 154 - Centro). A exposição fica aberta até 31 de julho com acesso de terça-feira a sábado, das 10h às 19h, e, aos domingos, das 14h às 18h. Grátis. Informações: 3254 5980.
Sob curadoria de Dodora Guimarães, cada artista recebeu espaço para apresentar, a livre escolha, um trecho representativo de sua obra. Zé Tarcísio optou pelo painel SOS Litoral. A obra, que demorou 14 anos para ser concluída, começou a ser trabalhada na Bienal de São Paulo de 1979, onde foi exposta pela primeira. À época, a pintura mostrava apenas uma extensa faixa litorânea. Com o passar dos anos, foi modificada a partir da observação do artista sobre as transformações sofridas pela própria paisagem real. Assim, a tela se transformou em objeto de denúncia. "Ela conta o loteamento da nossa paisagem. Com o tempo, os nativos foram sendo expulsos dela, ficando à margem", afirma Tarcísio.
O painel de 10x2m recebeu a última pincelada em 1993, tendo já sido exibido, um ano antes, no encerramento da conferência ambiental Eco 92, no Rio de Janeiro. O artista dedica a exposição ao ex-presidente do Grupo de Comunicação O POVO, jornalista Demócrito Rocha Dummar, falecido em 25 de abril último, que o ajudou a levar o trabalho para aquela exposição. "Esse era um convite muito honroso, mas eu não tinha condições de pagar despesas com deslocamento, hospedagem, e o Demócrito sabia que era importante o Ceará participar disso", diz.
Carrapicho é o nome da coleção de trabalhos a ser apresentada por Eusébio Zloccowick, dando prosseguimento a uma pesquisa que relaciona espinhos a religiosidade. Na sala, serão mostrados mantos feitos com carrapichos. "Há um grande preconceito com o carrapicho porque dizem que ele não serve pra nada. A minha viagem era criar uma função social pra ele e levar o marginal para um salão social. Gosto dessa brincadeira", afirma o artista.
Desde quando foi inaugurado, em julho de 2007, o Sobrado José Lourenço colocou em cartaz apenas uma exposição, a IV Mostra Cariri das Artes, que permaneceu quase um ano exibindo o trabalho de 60 artistas. Com essa nova mostra, a diretora Germana Vitoriano pretende começar o trabalho de consolidação do espaço como equipamento cultural voltado para os artistas visuais. "Acabamos de formar nossa equipe. Queremos transformar o Sobrado em um espaço de convivência e de difusão, onde diversas linguagens possam dialogar", diz. Ainda existem algumas pendências. O prometido café ainda não está pronto e, até quinta-feira, o elevador que dá acesso aos quatro andares do prédio estava quebrado. Germana afirmou que a previsão de conserto era até a própria abertura da exposição. Já o café deve demorar mais por conta da necessidade de realização de licitações para a ocupação do espaço.
No entanto, a diretora se põe otimista quanto à utilização do Sobrado. O auditório está pronto para ser usado e deve funcionar com a exibição de filmes, durante o dia, para captar o público usual do Centro. Além disso, logo após a solenidade de abertura de hoje, o prédio recebe o curador Ricardo Resende, ex-diretor do Museu de Arte Contemporânea do Centro Dragão do Mar, que faz uma palestra sobre o papel da gravura como arte contemporânea. Até as 17 horas, ele permanece no local lendo portfólios de artistas locais e fazendo comentários sobre eles.
SERVIÇO
7 Artistas, 7 Exposições - Abre hoje, às 11 horas, no Sobrado Dr. José Lourenço (rua Major Facundo, 154 - Centro). A exposição fica aberta até 31 de julho com acesso de terça-feira a sábado, das 10h às 19h, e, aos domingos, das 14h às 18h. Grátis. Informações: 3254 5980.
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