Vida & Arte
QUADRINHOS
O temido Cabeleira
Os crimes e a vida do vilão pernambucano, Cabeleira, publicado em romance em 1876 é agora recontado em história em quadrinhos
Pedro Cirne
da Folhapress
09 Jul 2008 - 01h00min
Era uma vez um roteiro que levava para o cinema um romance escrito no século 19 sobre um homem que viveu no Brasil do século 18. Este enredo deu voltas e se transformou na recém-lançada história em quadrinhos O Cabeleira, que traz a curta vida de um assassino que viveu e atuou em Pernambuco: o Cabeleira do título.
Diz a tradição nordestina, e repetem algumas canções de cordel, que José Gomes, o Cabeleira, foi um bandido violento e de cabelos compridos (daí o apelido) que aterrorizou cidades do Nordeste brasileiro acompanhado de seu pai, um homem talvez ainda mais sem coração que ele próprio.
Pai e filho não tinham limites: padre, policial, pessoas humildes... Qualquer um podia ser vítima de suas armas. Os que sobrevivessem a um ataque certamente estariam mais pobres depois. A história deles levou o escritor Franklin Távora a publicar, em 1876, o romance O Cabeleira.
Décadas depois, no início do século 21, Leandro Assis e Hiroshi Maeda participaram de um laboratório de roteiros para cinema inscrevendo uma adaptação do livro de Távora. O texto foi selecionado e retrabalhado pelos autores. Uma vez pronto, o convite para que o roteiro tomasse forma veio de outra mídia: uma editora de quadrinhos.
O artista Allan Alex deu formas às idéias e palavras criadas pela dupla. Produziu um personagem forte e calado, de vida sofrida e olhar duro, de movimentos brutos.
As cenas são, em sua maioria, sombrias e duras. Cabeleira não teve uma vida fácil, e muito menos suas vítimas. É natural, portanto, que as ilustrações carreguem um pouco dessa dolorida secura.
Entre as lutas e fugas do bando formado por Cabeleira, seu pai (Joaquim Gomes) e um aliado (o ex escravo Teodósio), são mostradas cenas de sua infância e juventude - não há maturidade, pois ele não viveu para tanto.
O Cabeleira é uma história violenta e com cenas de ação, mas que se assemelha a um drama pela representação da dor do protagonista. Teria sido mais fácil mostrá-lo como um monstro sem alma, mas os autores do título decidiram apresentar o lado humano do assassino.
Não importa se o meio é um romance, um filme ou uma HQ: uma história bem narrada consegue entreter o leitor (ou espectador) e levá-lo a um mundo diferente. Neste caso, uma terra sem justiça em que a única lei é a do mais forte.
Serviço:
O Cabeleira, de Allan Alex, Leandro Assis e Hiroshi Maeda. Editora: Desiderata
Quanto: R$ 39,90 (136 páginas)
Diz a tradição nordestina, e repetem algumas canções de cordel, que José Gomes, o Cabeleira, foi um bandido violento e de cabelos compridos (daí o apelido) que aterrorizou cidades do Nordeste brasileiro acompanhado de seu pai, um homem talvez ainda mais sem coração que ele próprio.
Pai e filho não tinham limites: padre, policial, pessoas humildes... Qualquer um podia ser vítima de suas armas. Os que sobrevivessem a um ataque certamente estariam mais pobres depois. A história deles levou o escritor Franklin Távora a publicar, em 1876, o romance O Cabeleira.
Décadas depois, no início do século 21, Leandro Assis e Hiroshi Maeda participaram de um laboratório de roteiros para cinema inscrevendo uma adaptação do livro de Távora. O texto foi selecionado e retrabalhado pelos autores. Uma vez pronto, o convite para que o roteiro tomasse forma veio de outra mídia: uma editora de quadrinhos.
O artista Allan Alex deu formas às idéias e palavras criadas pela dupla. Produziu um personagem forte e calado, de vida sofrida e olhar duro, de movimentos brutos.
As cenas são, em sua maioria, sombrias e duras. Cabeleira não teve uma vida fácil, e muito menos suas vítimas. É natural, portanto, que as ilustrações carreguem um pouco dessa dolorida secura.
Entre as lutas e fugas do bando formado por Cabeleira, seu pai (Joaquim Gomes) e um aliado (o ex escravo Teodósio), são mostradas cenas de sua infância e juventude - não há maturidade, pois ele não viveu para tanto.
O Cabeleira é uma história violenta e com cenas de ação, mas que se assemelha a um drama pela representação da dor do protagonista. Teria sido mais fácil mostrá-lo como um monstro sem alma, mas os autores do título decidiram apresentar o lado humano do assassino.
Não importa se o meio é um romance, um filme ou uma HQ: uma história bem narrada consegue entreter o leitor (ou espectador) e levá-lo a um mundo diferente. Neste caso, uma terra sem justiça em que a única lei é a do mais forte.
Serviço:
O Cabeleira, de Allan Alex, Leandro Assis e Hiroshi Maeda. Editora: Desiderata
Quanto: R$ 39,90 (136 páginas)
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