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Vida & Arte

Circo em Fortaleza


17 Set 2008 - 01h45min

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Baseada em renomados pesquisadores brasileiros, a jornalista Izabel Gurgel, diretora do Theatro José de Alencar, discute o conceito e a história do circo, em um minicurso que está ministrando chamado Noções Básicas de História do Circo, na Escola Livre de Artes Cênicas do TJA. Palhaços, de Mário Bolognesi (Unesp), e Circo - Teatro: Benjamin de Oliveira e a teatralidade circense no Brasil, de Ermínia Silva (Unicamp), são as bibliografias bases para o desenvolvimento do curso. A jornalista mostra a multiplicidade de linguagens em que o circo está inserido atualmente. "O que pesquisadores de circo no Brasil têm nos ensinado é que aprendemos também em outras linguagens, como teatro e dança. Circo é uma multiplicidade de experiências, de práticas distintas, de saberes e fazeres construídos, vividos em épocas e sociedades concretas. O que temos, como experiência contemporânea, é uma teia de distintas formas de fazer circo."

De acordo com Izabel, Fortaleza tem ampliado cada vez mais suas experiências de circo na cidade, principalmente eliminando a grande tenda, com a passagem do Circo Nacional da China e, agora, com o Circo de Beijing. Atualmente, existem cerca de 15 lonas praticamente invisíveis aos olhos da população. Além dos espalhados pelos bairros, "Fortaleza entra também no roteiro de circos de grande porte. Aqueles que viajam com a própria lona e fazem temporada em determinadas áreas da cidade. Compreendemos que circo também está para além da lona. Circo acontece na feira, na rua, no tablado, no grande palco..."

O Ceará possui escolas de circo em várias regiões do Estado. Na região do Aracati, há o Canoa Criança. Em Juazeiro do Norte, o Circo Ong Juriti. Aqui em Fortaleza, há as atividades de formação do projeto governamental Circo Escola Respeitável Turma, no Conjunto Palmeiras e no Bom Jardim. "O horizonte do que chamamos circo tem um lastro que embaralha qualquer tentativa de pensá-lo de modo mais restrito, seja limitando-o a um espaço físico, seja demarcando as fronteiras entre ele e o que seriam as outras linguagens da cena", ratifica Izabel.

A jornalista reforça que o diálogo do circo com as múltiplas linguagens artísticas não é novidade. "No século XIX, isso já acontecia Brasil afora. Por exemplo, com o circo-teatro, espetáculos circenses em grandes teatros como o Pedro II, no Rio de Janeiro; no século XX, com grandes cantores fazendo turnês. Circo será sempre uma experiência mais vasta, porque ele é mutante. Quando nos deparamos com jovens fazendo malabares no sinal de trânsito, por exemplo, estamos diante de uma prática circense. E temos registros de como os orientais, inclusos aí os chineses, fazem, há milênios, esta lição muito bem."

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